sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Há momentos

Há momentos que queremos chorar

E voltamos ao estágio de fetos

Só queremos ficar imóveis, parados

até que o mundo começa a rodar

Roda, gira desesperadamente e sem controle

E quando vimos, ficamos sem rumo

Sem norte e sul

Voltamos a ficar parados, imóveis

Até que por força mágica, divina

nos sentimos protegidos

Mas por que?

A nossa mçae nos abraçou

Pôs uma de suas mãos em nós

E todo o medo passou

voltamos ao lugar mais protegido

Nada pode nos machucar

Nenhuma mudança

Nenhum barulho

Nenhuma briga

Estamos ali longe de tudo

Abraçados pela a mão mais doce do mundo

A mão de nossa mãe

Quando sentir medo

Lembre-se da época que foi feto

uma voz e um abraço irão te consolar

Não sois fraco

Sois humano e tens medo de errar.


Gunther Guedes

Especial

Vou contar a história de uma menina que passou toda a vida se mudando. Aprendeu com seus pais que quase tudo era passageiro e que quase tudo um dia iria se acabar e ela teria que pôr tudo em algumas malas e abandonar aquele espaço e aquelas pessoas.

Aprendeu que em casa de Marinha, as cedidas por ela, você traz tudo, faz uma decoração qualquer (caso ela não esteja decorada), não põe muitos detalhes, por que afinal você vai está abandonando logo em seguida e vai ter que arrumar e organizar novamente em outra casa, em outra cidade, distante dali.

E enquanto as pessoas? Assim como as coisas, muitas foram as pessoas que ficaram para trás se perderam logo na mudança de cidade, mas outras permaneceram. Permaneceram por que você soube guardá-las muito bem e em caixas seguras e resistentes.

E a cada nova parada da vida, você reabriu as caixas da amizade e deixou as essências dessas florescerem e tomarem conta do novo espaço.

Até aí tudo bem, pois algumas caixas resistiram, mas estava na hora de você empacotar as coisas da penúltima parada e a mais demorada (tirando a definitiva), a parada da noiva do sol - Natal.

Foram anos de convivência, muitas histórias para contar. Amigos que apareceram e sumiram. Outros que magoaram e desapareceram, e outros que permaneceram quando não tinha mais ninguem por perto.

Desilusões amorosas, términos de namoro, momentos de aflição na universidade. Brigas, confusões, maus entendidos. Tudo passou.

Passou também os bons momentos, as "sabatingas", os pastéis de chocolates deixados na porta de casa, as voltas de uno sem destino, as idas e vindas da praia para comer peixe frito, as idas e vindas de Pirangi e Pipa para dar uma volta ou tomar um banho de praia.

É engraçado que você ao escrever uma carta, você quer contar tudo e acaba contando quase nada. Mas como diria o fotográfo que conheceu "os bons momentos não precisam de fotografias para serem registrados. Eles estão em nossa mente e nunca saírao".

Para finalizar, foi com você que tive grandes momentos como se perder cinco vezes em Fortaleza e gritar "Papicu, vamos pegar o caço e pesca para descer na beira mar"; ou lembrar de você quando tomar sorvete de caipirinha e/ou cerveja; ou quando ouvir "I missing you" de Black Eyed Peas ou qualquer outra de Maroon 5.

Se um dia já te fiz você chorar ou se estressar, peço humildemente desculpa, mas prometa que eu serei uma das caixas de amizade bem guardadas em sua vida. Por que a sua já está presente e preservada em minha vida. Te amo.

Descobri que também devemos amar nossas amizades. Elas nos consolidam na caminho da vida.

Para uma amiga chamada Camila.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Toquinho

Quando uma música tocar saudade, de quem você se lembrará? Que momentos você vai parar para rir ou chorar? Ontem no show de Toquinho ele falou que toda vez que cantava a música saudade, ele lembrava dos amigos que conquistou, desde Vinicius de Morais ou Chico Buarque ou os tantos outros anônimos que passaram em sua vida e que o tempo os afastou.

Eu fico pensando não tive nenhum amigo famoso como Vinicius de Morais ou o grande Chico Buarque de Holanda, mas os amigos que conquistei foram fundamentais e importantíssimos em minha vida.

Não precisei gravar nenhuma música para mostrar o meu carinho e respeito por eles, precisei apenas colocar na minha cabeça os grandes momentos que tivemos, os sorrisos gerados e as risadas conquistadas.

Quando tocar saudade eu quero lembrar dos momentos engraçados que tivemos, que choramos de tanto rir. Recordo de uma viagem em especial a ida a Fortaleza. Fui apenas com uma amiga minha, mas pense que viagem foi aquela.

Pegar ônibus errado, rir dos momentos bestas, comuns que passamos. Isso sim é amizade. A única preocupação do futuro será como manteremos nossa amizade viva. Esse post é para você pensar, "seja importante na vida de alguem, faça a diferença. Seja único(a)".

Coincidências da vida


Hoje voltando da praia vejo uma cena e resolvo parar o carro. Um gato doméstico (de raça vale salientar) estava brincando com uma borboleta (parece cena de filme, mas não é) e é atropelado na avenida Roberto Freire, caminho da Praia de Ponta Negra.

O gato é atropelado por um carro importado que não pára para prestar socorro. Logo atrás um carro também importado pára para prestar socorro e mais dois carros também param, inclusive o meu. Não sei o que estou fazendo. Não sei se é minha vontade de ser jornalista ou de veterinário (uma das minhas antigas vontades), mas resolvo parar para tentar ajudar.

O motorista do carro que parou, fica desesperado. Mas eu não entendia o seu desespero, afinal não foi ele quem o atropelou. Talvez a dor de ver um animal agonizando de dor tocou seu coração. No entanto, era uma das coincidências da vida. O gato atropelado era seu.

O gato fugiu de sua casa ao perceber que não tinha ninguém em casa. Ele mora em Capim Macio e estava passando a semana na praia. Pediu para a vizinha ficar alimentando seus dois gatos e seu cachorro enquanto ele fugia um pouco da rotina com sua família. A vizinha parece que não cuidava tão bem assim.

Acredita-se que o gato fugiu na manhã deste sábado e encontrou a avenida mais movimentada da cidade do Natal. Enfeitiçado pelas cores da borboleta acabou encontrando um veículo despreocupado com uma vida para ele acho miserável ou sem valor, mas para qualquer outra pessoa, é uma vida.

O animal morreu nas mãos do seu dono. O dono que ele procurou encontrar depois de dias de saudade. O nome do felino era Pedro Alvares Cabral, uma brincadeira por que ele era descobridor e vivia encontrando brinquedos antes escondidos e quem os tocassem levava uma bela arranhada.

A história de descobridor é mais uma das estatisticas de animais que morrem nas estradas e não são socorridos. Agonizam de dor e poucas são as pessoas que param para prestar algum auxílio para eles. E como muitos são animais de rua são considerados pragas urbanas e portanto a morte dessa forma a única solução de controle.

Não quero entrar em detalhes sobre a questão das pragas urbanas, só quero contar a história dessa família que acabou de forma trágica nas rodas de um carro importado. "Quem tem um animal em casa, sabe a alegria que ele traz. São membros da família, dão carinho mesmo quando estamos cansados demais para retribuir".


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desabafo

"Não tomarei partido em nenhuma briga. Vou deixar o tempo me mostrar quem está certo. Não vou apressar nada. Deixarei acontecer".

Hoje aquela pessoa que você defendia, no futuro pode mostrar que não é o que você esperava. E todas as suas defesas eram em vão. A verdade enfim apareceu.

Lembro de uma briga entre amigos na sétima série, eles eram meus melhores amigos. Tomei partido na briga, defendi fielmente um dos dois e no final... descobri o que eu defendia estava completamente errado e o que eu deixei para o lado, ataquei, condenei, brinquei, estava certo.

Me arrependi no mesmo período, mas perdi sua amizade. Hoje eu não defendo mais ninguem. Quer brigar? Brigue. Quer discutir? Discuta, no entanto não peça meu posicionamento.

Continuarei andando e falando com todos. E os que me ligarem eu falarei, conversarei, serei amigo no que puder. Serei um eterno animal político de uma sociedade a beira da loucura.

Na qual as pessoas brigam por motivos bestas. Onde não há conversa e não há o mínimo respeito. E tudo, pode acabar com um "vá tomar no cu" ou voltar com um "como você está? O que aconteceu?".



domingo, 31 de outubro de 2010

Descobri: eu sou bucólico.

Descobri: eu sou bucólico. 

Aprecio a idéia do mundo pastoril que visa oferecer ao homem renascentista o seu refúgio, um mundo utópico paralelo à sociedade real (gananciosa e contrastante) onde pode haver uma dedicação exclusiva ao ócio.

Sou amante do mundo natural e simples,  dos amores, alegrias e penas dos "pastores" que contrastam com os sobressaltos e inquietações da vida urbana.

Quero a volta da idealização do modo de viver apenas o necessário, onde se cria um ambiente imaginário de paz e perfeição, no qual não existe qualquer tipo de corrupção.

Quero também voltar a ler  A Primavera, O Pastor Peregrino e indagar quem seria: O Desenganado de Francisco Rodrigues Lobo.

Vou assim, amando o passando, condenando o presente e não acreditando no futuro. 

 



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Testando o jornalismo literário

Entre briga de marido e mulher, nem espelho salva

Por Gunther Guedes


Homem morre após dar soco em espelho: o título da matéria mais parece uma anedota contada pelo aquele seu vizinho mentiroso, mas ao contrário do que você imagina, o episódio aconteceu neste domingo, 24, no pequeno município de Pedro Velho, distante 78 km de Natal, isso mesmo a 78 km da bela noiva do sol, amada, querida e segura para o restante do Brasil.

Agora deixando os nobres e seguros potiguares com suas pesquisas fajutas e inseguras e voltando para a notícia do boxeador de espelhos, segundo dados da polícia, o ataque de fúria aconteceu após uma discussão usual de ciúmes. E convenhamos e que ciúmes.


A briga, trágica e cada vez mais comum nos dias atuais, começou por volta das 4h da manhã, quando os dois juntos pelo casamento decidem que não estava na hora de dormir e sim de acertar as questões pendentes, estava, então, na hora de partir para o tudo ou nada em mais um jogo de verdade ou conseqüência. Quem mentir apanha, e quem falar a verdade apanha mesmo assim. Contrariando aquele velho ditado de que quando um não quer, os dois brigam mesmo assim. 


Antônio, nome do falecido e nada cavalheiro, decide que estava na sua vez de começar o jogo do tudo ou nada. Colocou sua esposa contra a parede (na verdade no espelho) e começou a indagá-la em relação a sua fidelidade. E como homem desconfiado decidiu testar sua esposa no velho estilo do renascimento de tortura, pois para ele seria “na tortura que a carne se entrega”. Mas o ‘Michelangelo da tortura’ não esperava que suas péssimas habilidades o fariam perder a briga e pior a vida. Pausa dramática.


Ruim com a esposa e ruim com os ganchos de direita, Antônio erra um de seus ataques e atinge um espelho o nocauteando. O vidro estraçalhado provoca uma séria lesão no homem, causando uma hemorragia interna, um sangramento que não parava com o tempo para o desespero de sua amada e causadora do ciúme, sua esposa.


Sangue e a tristeza a parte, o homem que morreu foi identificado como sendo Antônio Martins de Castro Filho, de 30 anos e faz parte de uma sociedade que a cada dia está mais acostumada com grandes casos de violência nas mídias. Estampando sangue e histórias absurdas.




Matéria que deu base a notícia: 


Homem morre após dar soco em espelho

Ato de fúria cometido durante briga com a esposa provocou uma hemorragia. Caso ocorreu em Pedro Velho


Uma discussão entre marido e esposa terminou em tragédia no município de Pedro Velho, localizado a 78km de Natal, na madrugada de ontem. Um homem identificado como Antônio Martins de Castro Filho, 30 anos, morreu depois de golpear um espelho e sofrer hemorragia, segundo informações da Polícia Militar.

De acordo com o sargento Anselmo Ribeiro, a versão contada pela esposa de Antônio, cujo nome não foi informado, foi de que o casal estava brigando, por volta das 4h, quando o esposo tentou atingi-la com um murro. A mulher, porém, conseguiu se livrar, fazendo com que a vítima batesse no espelho do quarto do casal, cuja residência localiza-se na travessa Presidente Castelo Branco, Centro.

Ao perceber o intenso sangramento do marido, a mulher teria saído de casa para chamar parentes dele. "Quando a mãe de Antônio chegou ao quarto, já o encontrou morto, com o grave ferimento entre a mão e o pulso", explicou o sargento.

Ainda segundo o PM, a esposa da vítima deverá ser ouvida somente na manhã de hoje, em virtude da Delegacia de Polícia Civil de Pedro Velho fechar aos domingos. O delegado Silvio Fernando vai investigar o caso.

Diário de Natal - Cidades - Edição de segunda-feira, 25 de outubro de 2010 -  http://www.diariodenatal.com.br/2010/10/25/cidades7_0.php.